A Magia do Nascimento… e o que não nos é contado…
- Relaxem! Acreditem que ninguém sabe e sente mais que os pais o que o seu bebé quer… maioria é instinto e todos nascemos com ele.
- Se puderem preparem-se antes! Se bem que nada nos prepara a sério, podem ler livros da área, ir a um Curso de Preparação para o Nascimento que vos dará dicas sobre a amamentação, os banhos, as cólicas…
- Antes do parto, organizem a casa, o frigorífico, para que haja poupança de tempo e nos intervalos em que o bebé dorme também descansem.
- Avisem as visitas que nas primeiras semanas o momento é vosso. É um momento de extrema ligação pais-bebé, não há necessidade de muitos intrusos nesta fase. Claro que os avós vão querer aparecer e ajudar… de qualquer modo partilhem já este texto, assim como quem não quer a coisa ( 😉 ), para que percebam que podem ser uma óptima ajuda, mas com muita ponderação para não terem a atitude que sabem tudo e em modo crítico, criando muita instabilidade emocional à recém-mamã.
Não sei por onde começar…
Agora que já tenho lista de temas para conversarmos até ao Natal… não sei por onde começar! 🙂
Vou tirar papelinho… é isso… esperem um pouco…
And the winner is / e o vencedor é: Infeção do tracto urinário (ITU)…
Infeção do tracto urinário (ITU) pode ser na bexiga, uretra, rim, mas vamos falar aqui hoje sobre infecção da bexiga (cistite).
Confusão constante entre Cistite e infeção vaginal… ambas podem ocorrer em simultâneo… mas não tem nada a ver uma com a outra! Todos as semanas apercebo-me de como é confuso para quem não é da área perceber as diferenças…
Ora bem, a infeção vaginal tem como sintomas corrimento vaginal e por vezes prurido. A cistite causa peso no fundo da barriga, vontade de urinar constante, sensação que não se esvazia completamente a bexiga (mal se acaba, apetece de novo..), pode a urina apresentar-se turva ou com sangue e numa percentagem elevada uma dor tipo uma agulha, intensa que sobe pela uretra acima mesmo no final da micção…
É uma infecção que pode ocorrer em qualquer idade, desde bebé até ao nosso último suspiro… é mais comum na pós-menopausa e na gravidez, apesar que nesta última é quase sempre assintomática. É mais comum nas mulheres do que nos homens. Ocorre também em pacientes imunodeprimidas e após cirurgias do tracto urinário ou outras (devido à algaliação). Muitas vezes está associada à relação sexual.
Mais comum:
- Na mulher porque a uretra (tubo que une a bexiga à vagina) é muito mais curta na mulher que no homem (cerca de 3cm para 25cm…), e mais perto do ânus facilitando a entrada de microorganismos no sistema urinário.
- Na gravidez porque durante a gravidez ocorre um conjunto de alterações anatómicas e fisiológicas que predispõem a cistite Por esta razão está indicado na gravidez pesquisar em todos os trimestres a ITU, até porque na maioria dos casos na gravidez a cistite ocorre de forma assintomática e tem tendência a evoluir para Pielonefrite (infeção do rim, que na gravidez pode ser grave e obrigar a internamento).
- Na pós-menopausa, porque a diminuição de estrogénios altera o pavimento pélvico e facilita a subida das bactérias para a bexiga, devido à atrofia e secura da pele vulvar.
- Nas pessoas imunodeprimidas (com baixa do sistema imunitário, como diabetes, infeção por HIV e outras doenças ou medicação que diminuem as defesas do organismo).
- Após a relação sexual. Pode aumentar sim a incidência porque facilita a subida dos microorganismos da área genital e ânus até á bexiga. No entanto a infecção urinária é uma doença causada pela contaminação da bexiga por bactérias do seu próprio corpo. Não é, portanto, uma doença transmitida de uma pessoa para outra. O ato sexual por si só produz atrito, o que leva à irritação da região genital e ajuda a espalhar as bactérias do períneo. O ato de urinar ao fim de cada relação ajuda a “lavar” a uretra, empurrando para fora as bactérias que possam ter migrado durante o sexo.
É importante desfazer o mito: as infecções urinárias não são contagiosas e não se apanham em sanitários públicos ou piscinas, como frequentemente se pensa, e têm tratamento.
O que fazer? Idealmente devem recorrer ao vosso ginecologista ou médico de família para colheita de microbiológico de urina (colheita de urina para identificar o microorganismo que se encontra por detrás da infecção) e logo após a colheita iniciar antibiótico. O antibiótico é então escolhido partindo do princípio que se trata da bactéria mais comummente envolvida nestas infecções. Se não houver resposta ao tratamento em 48h há reavaliação com medicação de acordo com o resultado do microbiológico colheita previamente.
Medidas Preventivas para quem tem cistites recorrentes:
- Beber muita água
- Urinar após as relações sexuais (empurra as bactérias que migraram durante o acto sexual para a uretra para fora)
- Por vezes está indicado toma de suplementos alimentares que alteram…
- Ter um médico que aconselhe e acompanhe
- Por vezes está indicado a profilaxia com antibiótico após o ato sexual em casos em que há clínica de cistite associada à atividade sexual (surgem sempre 24 a 48 horas após o coito).
- Evitar limpar-se de trás para frente
- Ter cuidado na prática de sexo anal
A principal bactéria responsável pelas cistites (cerca de 80% dos casos) é a Escherichia coli, bactéria que habita normalmente o intestino. A bexiga é ótima para a sua multiplicação e sobrevivência.
A E.coli agarra-se através de fimbrias (prolongamentos) às paredes da bexiga, provocando cistites recorrentes.
Quando se confirma que é esse o agente responsável por várias cistites recorrentes é de ponderar a toma da vacina direccionada para essa bactéria. Estudos referem também que o arando vermelho, presente em alguns suplementos alimentares, impede a adesão das bactérias.
Apresentei-vos os sintomas, expliquei medidas de prevenção, desmascarei mitos…
Agora está nas vossas mãos!
Procurem o vosso médico! Há modo de prevenir e tratar esta infecção tão comum na mulher!
Para a semana há novo “papelinho”…
Se acharam interessante e relevante partilhem!
Férias…Piscinas…Vaginose
Férias… Praia, piscinas… muita água…
É maravilhoso, poder parar, relaxar, apanhar sol… e mergulhar.
Por vezes, devido ao excessivo uso das piscinas, já sem falar nos jacuzzis, que apresentam um pH alcalino o pH da nossa vagina altera-se causando uma infeção chamada vaginose.
Para vos explicar melhor têm que saber que a vagina (como qualquer outra parte do corpo) apresenta um conjunto de bactérias que a habitam – bactérias comensais que vivem em “harmonia” connosco. Outro dado a reter é que o pH da vagina de uma mulher em idade reprodutiva (da primeira menstruação até à menopausa é de aproximadamente 4.5).
Quando há alteração do pH, os Lactobacillus (os bons que nos protegem de outras infeções) morrem pois só sobrevivem no pH ácido. Neste desequilíbrio de pH, as bactérias menos simpáticas (anaeróbias) aproveitam e proliferam e causam a Vaginose.
A Vaginose bacteriana pode ser assintomática ou dar origem a um corrimento mto líquido, que regra geral é cinzento amarelado com um cheiro intenso. Causa também prurido vulvo-vaginal e ardor ao urinar e pode originar dor na relação sexual.
Todos os fatores que alcalinizem a vagina podem estar na base desta infeção, banhos de imersão, esperma, mas acima de tudo as piscinas (não só pelo pH da água superior a 7, como a presença de o cloro que mata bactérias, incluindo as protetoras da vagina).
A Vaginose por si, além do desconforto vulvo-vaginal predispõe a outras infeções vaginais pela diminuição dos bacilos protetores. Pode ascender pelo aparelho reprodutor e causar Doença Inflamatória pélvica (infeção do útero, trompas… com consequências por vezes desastrosas, incluindo necessidade de cirurgia urgente ou infertilidade). Na gravidez deve ser sempre tratada porque predispõe a parto pré-termo.
Não é uma doença sexualmente transmissível (DST), mas pode agir como facilitador de uma DST.
É a infeção vaginal mais comum, ultrapassando inclusive a candidíase.
Se surgirem estes sintomas procurem o vosso ginecologista que vos aconselhará não só um antibacteriano direcionado para as bactérias más, como em muitos casos a colocação de lactobaccilus para repovoar a vagina dos seu micro-guerreiros defensores.
Até lá… boas férias e não se inibam de bons mergulhos… se o pH da vagina se alterar temos como o repor!
Ainda agora fui mergulhar… mas no mar… tem o pH alcalino, mas ao menos não tem cloro! 🙂
Exercício na gravidez … Sim ou Não?
Exercício na gravidez … Sim ou Não?
Esta pergunta é me realizada todas as semanas, várias vezes.
Senti necessidade de vos dar uma resposta mais abrangente e investigar junto de uma doutorada no assunto…
Qualquer grávida pode praticar regularmente exercício físico?
Após avaliação cuidada da médica obstetra para despistar complicações, as grávidas devem ser encaminhadas para profissionais aptos na prescrição e no acompanhamento do exercício na gravidez.
O risco da prática regular de atividade física ou de exercício físico durante a gravidez é muito reduzido. Contudo, as rotinas de exercício devem ser adaptadas em função das necessidades fetais e das alterações anatómicas e fisiológicas da futura mãe.
Que tipos de exercício são adequados à Grávida?
As grávidas devem ser encorajadas fundamentalmente a realizar exercícios do tipo aeróbio e de resistência muscular. A marcha, a bicicleta estacionária e a natação são os exercícios aeróbios mais aconselhados
Exercícios com risco de queda (bicicleta na rua) e com maior stress articular (jogging e corrida) devem ser realizados com cautela ou evitados
A nível de aumento da resistência muscular exercícios com sobrecarga leve e repetições múltiplas são mais seguros e eficazes no aprimoramento da força muscular das grávidas
E em relação à intensidade do exercício?
Nas mulheres com gravidez normal, a intensidade do treino aeróbio deve ser moderada. Nas grávidas, a resposta da frequência cardíaca ao treino é bastante variável. Por isso, sugere-se o controlo da intensidade do treino através de escalas subjetivas de esforço e não pela frequência cardíaca.
Mulheres com gravidez saudável e sem complicações que praticavam exercício físico intenso (jogging e corrida) antes da gravidez, podem continuar a fazê-lo. Não há efeitos adversos.
Quando interromper o exercício físico?
O exercício deve ser interrompido perante qualquer sinal de alerta:
- Perda se sangue vaginal ou líquido amniótico
- Falta de ar
- Tonturas
- Dores de cabeça
- Dor no peito
- Redução ou interrupção dos movimentos do feto
Deve-se ter também em conta que a partir do 2º trimestre as grávidas devem evitar a posição supina (deitada de barriga para cima) em repouso e em exercício. Essa posição dificulta o regresso do sangue ao coração e tem consequências no débito cardíaco (quantidade de sangue que sai do coração por minuto).
A prática regular moderada de atividade física durante a gravidez mantém ou melhora a capacidade funcional, ajuda a controlar o aumento de peso, reduz o risco de diabetes gestacional e aumenta o bem-estar psicológico. Mas como caso é um caso fale com o seu médico obstetra e se possível peça orientação a um profissional da área.
Em conversa com Lucimére Bohn . Doutora em Atividade Física e Saúde
Contracepção hormonal combinada
Há 15 dias falei-vos um pouco sobre contraceção, em especial da contraceção intrauterina de longa duração, reversível- DIU e SIU.
Hoje vamos falar noutra vertente, que é a mais utilizada- contraceção hormonal combinada, ie, composta por dois componentes hormonais: estrogénio e progestativo.
Os diferentes progestativos têm diferentes propriedades, atuando de modo diferente nos recetores hormonais, conduzindo a diferentes efeitos, que devem ser escolhidos de acordo com as necessidades da paciente. A nível de estrogénios a principal diferença encontra-se na sua dosagem.
A escolha da pílula deve ser orientada pelo ginecologista para determinada mulher. Todas temos características diferentes, desde peso, idade, passando pelo acne, hirsutismo (excesso de pelo), retenção hídrica, enxaquecas, …
Dependendo da paciente, de acordo com as suas caraterísticas é possível escolher a melhor combinação hormonal (dose de estrogénio e tipo de progestativo) para essa paciente.
Existem portanto, dentro da contraceção hormonal combinada diferentes associações.
A nível de eficácia, se toma correta, é um método muito eficaz.
Além da mudança na dose dos estrogénios e do tipo de progestativo também podemos escolher entre 21cp e 28cp, sendo um aspeto igualmente adaptado caso a caso.
Este tipo de contraceção apresenta vários benefícios além da contraceção, nomeadamente:
– regularização dos ciclos;
– diminuição do fluxo menstrual, sintomas pré-menstruais e dores menstruais;
– diminuição da incidência de miomas e de cistos ováricos funcionais;
– melhoria do acne, hirsutismo e doença fibroquística da mama
– diminuição em >50% do cancro do endométrio (interior do útero), do cancro do ovário (20% a cada 5 anos de uso) e ainda do cancro colorretal em cerca de 20%.
São contraindicações ao seu uso:
– antecedentes de tromboembolismo venoso e/ou de AVC
– hipertensão descontrolada
– pacientes portadoras de trombofilias ou Lúpus
– doença cardiovascular isquémica
– enxaqueca com aura
– doença hepática (cirrose e adenoma hepatocelular ou cancro do fígado)
Nestas situações deverá ser escolhido método contracetivo sem estrogénios.
Existem vários MITOS ao redor da pílula, alguns:
– deve ser realizada pausa ocasional da pílula- absolutamente contraindicado
– não se deve fazer 2 caixas de pílula seguida – em algumas situações é inclusive aconselhado.
– a pílula diminui a fertilidade – de modo algum!
– mais mitos?
Não podia deixar de referir, ainda no âmbito da contraceção hormonal combinada, que o seu uso pode ser além de oral, por via vaginal – o anel vaginal e por via transdérmica.
Em Portugal o anel vaginal – é o Circlet, que deve ser colocado no primeiro dia da menstruação durante 21 dias e retirado durante 7 dias, com recolocação após a mesma pausa. É uma boa opção para esquecimentos frequentes (tem app que avisa do dia da colocação, extração e recolocação do mesmo) e óptima para quem sente alterações gástricas coma toma de pílula oral ou apresente síndromes de má-absorção.
A nível de sistema transdérmico, temos disponível neste momento o Evra, que deve ser colocado no primeiro dia da menstruação durante 21 dias e retirado durante 7 dias, com recolocação após a mesma pausa. Este adesivo pode ser colocado em qualquer local do porto, menos nas mamas. E apresenta idênticas indicações que o anel vaginal.
Por hoje é tudo…
Para a semana há mais.
Dúvidas? Coloquem-nas.
PS: O atraso da publicação de hoje prendeu-se com uma falha na rede de internet na minha casa… e o router ainda não re-iniciou… 🙁
O porquê de estar a escrever às 6 da manhã
O porquê de estar a escrever às 6 da manhã… resume-se a duas palavras… bebé apressado!
Pois bem, estava eu a sentar-me para escrever sobre contracepção às 02:27 da manhã… quando surgiu uma sms no ecrã do meu telemóvel…
Arregalei os olhos e algumas palavras saltaram imediatamente no ecrã … “contracções” …”14 em 14 minutos“…
Tenho que admitir que não fiquei contente… mas porquê?! A morrer de sono e a miúda faz-me isto?!
Telefonei à tua mãe:” Ok, vá para o hospital… equipa a caminho!”
E assim foi…uns telefonemas… e minutos após lá estávamos todos…
Entramos no bloco e de repente, assim tipo magia, pelas minha mãos saíste do ventre da tua mãe…
Nasceste.
E o Mundo mudou.
No Mundo dos teus Pais a noite virou dia… e o teu irmão esperava na sala ao lado…
Já disse isto antes, mas no sossego daquele bloco operatório…reparei que as 9 pessoas que foram chamadas para te ajudar a nascer… sorriam, mesmo tendo deixado uma cama quente, sorriam.
A Isto chamo Magia!
E agora ao voltar para casa, já com o dia a despontar, despenteada, cansada num impulso final escrevo estas poucas linhas para relembrar que movidos pela Paixão estamos lá!
Um agradecimento a todos que sairam das suas famílias a meio da noite para ajudar uma outra família a ficar mais completa! Obrigada!
Sê bem vinda C.!
Daqui a uns anos falamos.:)

