É Setembro e ando perdida…
Libido Adormecida…
Libido é Desejo…e o Desejo às vezes morre, mas quase sempre encontra-se apenas adormecido, entorpecido, desligado…
Se vos contasse o número de vezes que durante uma consulta ouço num desabafo : “ Não tenho vontade… Já não me apetece… que posso fazer?!” e outras frases com mensagem similar…
E não, não é só depois da menopausa, fase da vida da mulher em que as alterações hormonais, principalmente a baixa de estrogénios nos diminui acentuadamente a libido. E também não é só no pós-parto, que além da baixa de estrogénios, há um novo Amor na nossa Vida… e um Mundo de preocupações e cansaço…. Não! Ouço-o de mulheres com vinte anos, trinta e quarentas…
Tenho várias explicações… e são várias as situações…
Culpados?
A Sociedade exigente em que vivemos… temos que trabalhar mais e mais… chegando ao fim do dia a casa estourados, com o jantar para fazer, os banhos para dar às crianças, as mochilas para organizar para o dia seguinte…numa correria que não deixa espaço para um carinho, um beijo, um olhar.
Os anos que passam e que às vezes são muitos… e de repente já não há novidade, é sempre igual... Mais uma vez a sociedade que, para já… (sim porque já espero tudo), nos apresenta as relações como monogâmicas. Monotonia…
Nós próprios, que investimos demasiado no trabalho e tão pouco nas relações.
Em casos raros há falta de química mesmo… mas aí cabe a cada um decidir se vale a pena ficar, ou partir… que valor tem este componente no conjunto…
O que aconselho?
Não, não defendo a poligamia, que para já ainda me confunde… 🙂
Defendo a dedicação ao outro, o namoro constante, o equilibrar da distribuição do nosso Tempo…
Defendo a Inovação... Noites sem os filhos, fins de semana de re-encontro.
Se houver poucos estrogénios… há cremes, lubrificantes para que não haja dor… sim, porque quando dói não dá vontade de voltar a tentar…
Mandar os maridos lerem este post ( também pode ajudar… 😉 ).
Maridos, namorados, homens… a maioria da mulheres precisa de preliminares e de pequenos mimos diários… Precisam de se sentir amadas e desejadas.
Uma mulher que se sente desejada, tem vontade.
Se ambos não quiserem, tudo bem. Não há definição de relação normal… O problema é quando um quer e o outro “foge”… muitas vezes as relações acabam assim.
Tratamento?
Não há medicação, desculpem… excepto os hidratantes e lubrificantes para os casos em que há dor, desconforto.
No entanto em algumas situações, há patologia por detrás, que inclusive poderá ser corrigida… se tiverem dúvidas contactem o vosso ginecologista.
Na maioria dos casos só é preciso ter Vontade de voltar a ter Vontade… e voltar a dedicar-se ao outro, reconquistar e ser Feliz.
Os 40 são os novos 20
Os 40 são os novos 20…
Desenganem-se se pensam que vou falar da minha idade… não ainda não tenho 40… apesar de me sentir com 20… 😉
Não tem nada a ver comigo… apesar de esta tabuleta, ser uma das várias que forram a parede do meu consultório…
Na Sociedade em que vivemos, com o aumento da esperança de vida, com a igualdade dos papéis entre os sexos (sim, as mulheres já não ficam em casa a criar os filhos há muito tempo!) e O novo Mundo que habitámos os compromissos são adiados e a vida pessoal é colocada em segundo plano, enquanto se tiram cursos, pós-graduações, doutoramentos. Neste Mundo em que a estabilidade profissional é quase um mito… Ser Mãe é adiado.
O Mundo mudou.
Existe planeamento familiar, a mulher já é mãe quando quer e não quando acontece.
Existe um mundo de trabalho altamente competitivo, onde só há lugar para os melhores…
As mães já não ficam em casa a tomar conta dos filhos, e deixá-los num infantário custa dinheiro. As avós já não estão lá para ajudar, porque ainda trabalham…
Tanto que mudou…
Alcançar a independência financeira, construir uma carreira, conseguir ter uma relação estável (e não vou falar sobre este último ponto!)… é cada vez mais difícil.
A maternidade é ADIADA.
Ser mãe depois dos 35 anos é chamada pela ciência como “idade materna avançada” … Penso que este termo além do roçar o insulto (quer dizer, aos 35 somos velhas?!), tem que ser repensado e pelo menos adiado para os 40 (continuamos novas aos 40, note-se bem, mas engravidar começa a ser mais difícil e com mais riscos).
A ciência avança e vai contrabalançando esta tendência. Penso que faz parte da evolução. E um dia isto tudo será obsoleto. Neste momento é a realidade.
A mulher a nível reprodutivo apresenta uma característica difícil de contornar e que nos coloca precisamente na pertinência deste tema. Nós quando nascemos já nascemos com todos óvulos que vamos ter na vida (os óvulos são células sexuais que darão origem a um novo indivíduo se ocorrer fecundação)… Este pressuposto leva-nos a que quanto mais anos passam menos óvulos tenhamos (estes são consumidos até à menopausa) e os que temos são obviamente mais “velhos” e perdem qualidade.
Queria vos alertar para as duas ramificações deste Facto:
Por um lado, existem vários estudos que comparam os desfechos de uma gravidez aos 20, 30 ou 40 anos ou após… quais são os resultados, em modo resumido?
- A fertilidade diminui – óvulos em menor número e com menos qualidade
- A taxa de abortamento (TA) aumenta e muito (A TA é cerca de 10% aos 20 anos, 20% aos 35 anos, 40% aos 40 anos e 85% aos 48 anos!)
- Risco aumentado de gêmeos, com o avançar da idade a ovulação por vezes é múltipla nos meses em que ocorre, aumento de técnicas de procriação médica assistida
- A qualidade dos óvulos ao diminuir não só há risco aumentado de abortamento como o risco de malformações e alterações dos cromossomas, como a trissomia 21
- Há um conjunto de patologias cuja incidência é aumentada nestas grávidas, como Diabetes gestacional, Doença Hipertensiva…
- Na gravidez há um risco aumentado, além do abortamento, de morte fetal e de parto pré-termo com as suas implicações
Por outro lado, ou abdicamos de ser mães ou vivemos a vida e ajustamo-nos ao Novo Mundo.
Que quero dizer com isto?
Duas coisas… primeira se faz parte do vosso plano de vida ser mãe, tentem. Peçam orientação ao vosso Obstetra. Procurem alguém que tenha conhecimento na área da fertilidade. Planeiem, sejam bem orientadas e o sonho será realizado. Segundo ponto… não esperem demais! Não coloquem em segundo plano a Família, sem ela nada somos… quando morrermos (e para já é uma certeza que acontecerá) não se vão lembrar de nós pelos cargos que tivemos, mas a família vai lembrar com saudade os momentos que vivemos. A realização pessoal ao olhar para um filho criado por nós, se houver entrega e dedicação é muito superior a qualquer prémio Nobel.
Em Resumo…
Sim, como em todo o resto na Sociedade em que vivemos os 40 são os novos 20 por vários motivos e a área da Maternidade não é excepção.
Ser mãe cada vez mais tarde é uma realidade, mas o adiar em demasia pode conduzir a um sonho perdido.
Querem tentar, tentem! Apesar dos riscos tentem… mas peçam orientação a quem de direito e percebam desde já que depois dos 40 anos vai ser mais difícil. Esse mais difícil não quer dizer que não vão ter um bebé perfeito, mas que há mais riscos e principalmente dificuldade em engravidar.
Apesar de os óvulos estarem mais “velhos”, nós estamos cada vez melhor... e a sabedoria e estabilidade dos 40 por outro lado traz outros benefícios.
Não há momentos ideais!!! Não há certezas! Vivam a Vida enquanto cá estão.
Sabendo dentro de cada um, quais são os motivos que vos fazem sorrir todos os dias.
“Bola de Berlim, Bolinhas, Bolacha Americana”
Estava na praia, sentada na areia molhada de olhos fixos na minha pequena que galgava as ondas feliz, numa pequena prancha quando ouço mais uma vez: “ bola de berlim, bolinhas, bolacha americana”… eu gosto delas sem creme pensei…
Sorrio…bem, eu gostava delas com creme na minha infância, quando na Foz passava no estreito areal a senhora de saias compridas e um avental preto com vários bolsos que trazia um cesto com mini bolas de Berlim. Vendia um conjunto de 6 delas, com um fabuloso creme com leve trago a limão…
A bola de Berlim, deu-me uma ideia! Que tal falarmos um pouco sobre Diabetes Gestacional (DG)? É comum… Causa pânico muitas vezes e em outras é completamente negligenciado… nem 8, nem 80.
O que é isso da DG?? Na gravidez ocorrem várias alterações no metabolismo materno, levando a uma situação de “estado diabetogénico”. Por outras palavras há uma dificuldade de o açúcar entrar nas células causando elevados níveis elevados de glicemia que podem afetar mãe e feto.
Sabe-se que quando ocorre DG e este não é corretamente monitorizado existe um risco aumentado de excesso de peso no recém-nascido podendo conduzir a partos traumáticos, por outro lado há risco aumentado de parto pré-termo com imaturidade respiratória e ainda risco aumentado de o recém nascido ter hipoglicemias nas primeiras horas pós-parto que obrigam a monitorização apertada. Na mãe existe risco aumentado de desenvolver estados hipertensivos na gravidez e de vir a desenvolver diabetes mais tarde.
Não se preocupem no entanto muito com esta entidade. Porquê?
Toda a grávida é sujeita ao rastreio de DG… a não ser que não seja de todo vigiada… mas nessa situação este será o menor dos seus problemas…
No primeiro trimestre é avaliada a glicemia em jejum e no segundo trimestre (entre as 24 e 28 semanas e não antes, nem depois!) vão ter que beber 300 ml de um líquido docinho (tipo bola de berlim… só que não) que contém 75g de açúcar e a glicemia irá ser medida em jejum, 1h e 2h após a ingestão da mesma bebida.
As únicas grávidas dispensadas deste exame são as que têm diagnóstico prévio à gravidez de diabetes e as pacientes submetidas a cirurgia bariátrica.
E notem bem, escusam de dizer sistematicamente quando vos dou a requisição das análises do segundo trimestre: “ Tem aquele exame horrível, não é? Vamos ver se vou aguentar…”. Primeiro na minha gravidez fiz o de 50g e adorei, entretanto tive que repetir o exame com 100g, desta vez não adorei, mas mantive-me firme porque sabia que se vomitasse tinha que o fazer de novo… e segundo se as outras conseguem, vocês também vão conseguir … as mães são capazes de tudo!
E se o resultado vier positivo?
Respirem fundo… e sorriam na mesma… vai correr tudo bem desde que corretamente orientadas!
Contem com um controlo mais apertado, com consultas e ecografias para avaliar o crescimento fetal e o liquido amniótico mais frequentes.
Vai ser aconselhado:
- Dieta equilibrada, adaptada de acordo com as necessidades e gostos individuais por uma nutricionista
- Se possível caminhada de 30 minutos após as três principais refeições
- Medição da glicemia em jejum e 1h após o início das refeições. Esses valores são registados. O objetivo é ter em jejum valores inferiores a 95mg/dl e 1h após as refeições 140mg/dl
Se com estas medidas não forem alcançados valores dentro dos limites desejáveis será necessária introdução de medicação.
De bónus no pós-parto terão que repetir a prova de 75g cerca de 6 semanas após o parto, de modo a confirmar que as alterações no metabolismo do açúcar eram apenas relativas à gravidez e não Diabetes mellitus.
Em conclusão, tendo em conta que a maioria são detetadas entre as 24-28 semanas, digamos que vão ter umas 10-15 semanas de monitorização de glicemias e com uma dieta mais equilibrada… e depois vão puder curtir a vida toda o vosso bebé.
Não entrem em extremismos, e se estiverem na praia e ouvirem “ bola de berlim, bolinhas, bolacha americana”… se vos apetecer muito…comam uma … mas não digam a ninguém! 😉
Porque tem que valer a pena!
Ainda não eram sete da manhã … e já muitas voltas tinha dado na cama, quando sorrateiramente me esgueirei para a varanda.
20 Agosto tem este efeito em mim. Sou invadida por uma doce nostalgia… Ano atrás ano e o sentimento aumenta sempre.
Desde sempre que sinto que só temos esta Vida … e que esta Vida são dois dias e são estas premissas que me movem. Causa-me uma ansiedade miudinha, um quase medo de estar a perder tempo com o que não vale a pena. Porque tem que valer a pena!
Sento-me, aqui nesta varanda sobre o mar e sorrio para o Dia, que desponta em azuis pálidos ao som do mar a espraiar na areia. Cresci com este som e dá-me uma tranquilidade única. Não há mais sons…apenas um chilrear de passarinhos que já acordaram.
E então? Onde estou? Para onde me leva o caminho?
Não sei… na verdade não sei. Não sei o destino. Sei que o faço sem muletas, com os meus próprios pés descalços. Sinto o chão como uma areia molhada, inexplorada, mas sólida. Em cada bifurcação da estrada, não sei se escolho o melhor, mas escolho sempre o que me diz o coração, mesmo que o trajeto escolhido não seja o esperado.
No percurso cruzo outros caminhos, que me mudam, que me transformam, que fizeram de mim o que sou hoje. Porque não Somos sozinhos.
Relembro no Mapa da Vida esses encontros e desencontros. Não há espaço para arrependimentos porque todas as escolhas me trouxeram até Aqui, onde estou Hoje.
E eu Gosto de Estar Aqui.
Este Ano passou… num suceder de dias.
Acordei a olhar a minha melhor metade, a pessoa mágica que Deus me Deu há 9 anos atrás. Eternamente Grata. No dia a dia estive presente em muitos momentos únicos, desde mostrar a uns pais no monitor de um ecógrafo, pela primeira vez o seu futuro filho, nos nascimentos de várias novas famílias. Senti várias vezes a magia de tirar os bebés da barriga das suas mães, introduzindo-os neste novo mundo.
Foi um ano duro, este que passou…
Ok, aqui entre nós eu sei que os dias se sucedem ininterruptamente e não são os anos que mudam, mas na minha cabeça sempre foi assim. No dia em que faço anos, o ano Muda. E desculpem este egocentrismo do dia de hoje.
Neste ano foram-me roubadas horas e horas a um projeto que decidi começar exatamente há um ano e que terminou agora. Fiz uma pós-graduação em Gestão… riam-se à vontade… às vezes tenho destas coisas… tal como no ano anterior fiz um curso de fotografia… Tal como iniciei este “Blog” onde me encontro todos os Domingos… Só quero puder esclarecer o máximo número de mulheres em tantos assuntos do dia a dia, de um modo simples. Desfazer mitos.
Este ano? Quero novos desafios…sem nunca me perder do que é mais importante!
Desafios pessoais. Porque tenho sonhos.
Encontro-me em cada viagem que faço, em cada pisar na areia molhada, em cada fim de tarde que o meu corpo aquece ao sol…
A Felicidade está Aqui, Agora, em que olho o Mar, que já não está pálido, mas de um azul lindo… e me Sei Viva.
Ainda há sonhos por cumprir… metas por alcançar.
De nenhum Futuro quero só metade!
Sei que há sonhos que não estão nas minhas mãos… esses espero que o Mundo se inspire e conspire e que num dia de sol, seja verão ou inverno, me os deixe Viver.
Nota: imagem captada pela minha mini-Me, ontem ao entardecer
Estou Grávida… Posso Viajar? Leia antes de escolher o destino!
Estou Grávida… Posso Viajar?
NÃO!!!!
Pode… mas antes de escolher o destino tem que saber … basicamente o que vou passar a dizer…
As áreas pintadas no mapa mundo acima devem ser evitadas na gravidez e nos 6 meses antes de engravidar…
Como vos explicar que uma dupla perigosa anda a limitar os destinos de viagem de quem está grávido ou a pensar engravidar?
Recentemente descobriram que o vírus Zika (já identificado como causador de infecção em seres humanos desde 1952) causava malformações fetais. Este vírus é transportado por um mosquito da família Aedes (que picam, normalmente, durante a manhã e ao fim da tarde).
Que sintomas dá a infecção pelo Zika?
Aí está a pior noticia… 80% dos casos não dá sintomas! Quando dá são sintomas víricos, como febre, dores musculares e articulares, cefaleias, mau estar geral. São bastante inespecíficos e surgem entre 3 a 12 dias após a picada e duram 4-7 dias.
Não há vacina ou tratamento.
Onde anda ele?
Clique no link https://wwwnc.cdc.gov/travel/page/world-map-areas-with-zika para saber que destinos evitar…
Os destinos mais problemáticos por serem comuns são: América Central e do Sul e Cabo Verde.
O vírus é transmitido por uma de 3 maneiras:
- Através da picada pelo mosquito Aedes, principalmente o Aedes aegyptis regiões tropicais. Trata-se do mesmo mosquito que transmite o dengue, o chikungunya e a febre amarela.
- Através da relação sexual, sendo que o vírus é transmitido no sémen do homem até 6 meses!
- Através da placenta, de mãe para filho.
Como Prevenir?
- Mulher grávida não deve viajar para destinos onde existe Zika.
- Se marido viajar para esses destinos? Usar preservativo até ao final da gravidez ou não ter relações sexuais de todo.
- Se casal a pensar engravidar:
- Se forem para esses destinos marido ou casal…adiar concepção 6 meses.
- Se for a mulher viajar e o marido ficar, só têm que adiar 2 meses…
Por isso se está a pensar viajar e engravidar, pare, leia e fale com o seu Ginecologista!
Qualquer dúvida, já sabem… perguntem.

